Neo-Romântica
Devaneios de alguém que acredita que gente tem que ter gente dentro.


Quinta-feira, Março 13, 2008  

Um dia de guardar na memória!

Ainda não oficializei,
mas já pedi as contas.

OH, YEAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!

posted by Neo | 23:52
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Quarta-feira, Fevereiro 27, 2008  


Encontrei Balzac num dia de céu azul e noite de estrelas brilhantes.

Sim.

Alegrias e crises à parte, pela primeira vez na minha vida, não choveu.


posted by Neo | 11:28
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Domingo, Novembro 18, 2007  

Noite de quinta-feira e uma chuva fina cai em São Paulo. Asfalto molhado, luzes - e o eco das luzes que só a chuva fina faz na noite. Um friozinho dando ao metrô todo um ar europeu. Argentino, talvez.
No palco, amparada por um rapaz, surge uma pessoa pequenina. Cachecol vermelho no pescoço e tiara nos cabelos negros.
E, ainda em meio a aplausos e assobios, sua voz invade o local e é inevitável a emoção.
A comoção.
As lágrimas.
Ali, sentada, a pequena mulher canta como se contasse uma história de vida e de gente corajosa. De gente que viveu de um tudo. De gente que tem muita gente dentro. E canta como se estivesse sussurrando um segredo ao filhinho antes de ele dormir; simples assim. Canta como se houvesse paz no mundo: canta para haver paz no mundo. Canta com a voz da pessoa que rompeu todas as fronteiras e as barreiras contra as forças de uma ditadura que calou tantas gentes. E que cala ainda: as tais veias abertas da América Latina.
Canta para que o silêncio não maltrate ainda mais os corações livres.
E a sua música vai direto ao íntimo à essência ao âmago ao que quer que seja de mais profundo da gente.


Sim, Mercedes Sosa é ainda melhor ao vivo.

Não sei quantas e quantas e tantas coisas bonitas eu ainda vou viver. Mas esta já é, com toda certeza, uma das dez mais da minha vida.



(E eu nem vou falar das pessoas mal-educadas que gritavam pedidos, como se ela fosse uma vitrola com controle remoto. E da vergonha que senti por isso.)

(Nem vou falar que ela não cantou “Años”... porque é como se ele tivesse cantado.)

(Nem vou falar da carinha linda do meu amor me olhando enquanto eu chorava e sorria a noite toda... porque todas as fotos que a gente não tirou estão aqui, bem guardadas.)


posted by Neo | 15:27
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Sexta-feira, Outubro 12, 2007  

E então que hoje entro aqui e me disponho a escrever.

Sobre a vida, como sempre, mas sobretudo, das músicas. Que me têm alimentado quase tanto quanto os livros. Ou mais, nesse meu momento ansioso.
E das horas. Que têm sido demoradas... sempre uma possibilidade de melhora que me assusta e me mantém alerta e me faz querer sempre viver o próximo segundo, o próximo dia, a próxima semana. Ao mesmo tempo, a espera pelo dia que virá, e que causa não só alimento para os sonhos, mas também toda a parte ruim da espera e da esperança adiada.

Mas, enfim, eu tentei entrar aqui. Para postar. Eu estava inspirada, eu juro.

Só que, eis que faço o login e descubro que perdi o acesso porque não postava há mais de 90 dias. E sim, eu não postava a mais de 90 dias, muito mais até.

E daí, diante da possibilidade de ter perdido o acesso ao Neo-Romântica, uma parte de mim “tão-eu”, foi que percebi o meu apego. Mesmo que fosse para não mais escrever aqui, mesmo que fosse para deletar o blog, mesmo que fosse para ter o controle sobre a lembrança desses mais de quatro anos...

Tantas coisas envolvidas. Tantos momentos da minha vida, talvez os mais importantes estejam aqui registrados (nem todos, confesso), tantas pessoas.

Doeu. A possibilidade de perder a Neo, que sou eu, eu sou isso que escrevi aqui desde 2003. A possibilidade de perder o controle, de ter que admitir que perdi o meu histórico, assim, sem choro nem vela nem fita amarela. Sem a decisão de.

Mas eis que, depois do momento de paúra, eu me lembrei: havia um erro na hora do login. E consegui, consegui, consegui o acesso. Perdi a inspiração. Mas me valeu de aviso, me valeu de puxão-de-orelha, me valeu de o-que-quer-que-seja.

Percebi que não me interessa o que eu tenha a dizer. Interessa que eu quero dizer.
E mais, que eu quero a Neo viva.
Eu quero, porque ela sou eu, e porque eu sou ela, e porque eu quero resgatar o meu prazer de escrever. Assim, escrever-sem-eira-nem-beira.
Escrever, para me fazer viva.
Para me sentir viva.


posted by Neo | 00:51
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Quarta-feira, Março 07, 2007  




As partidas, chegadas.







"Estou sirgando, mas
o velame foge.
Te digo: não chores não.
Aqui é mais calmo, é suave ardor
que se pode namorar à distância.
Não é teu corpo.
É a possibilidade de sombra.
Que se recorta e recobre.
Eles se desencaminham,
mas não se pode fazer por menos.
Querida, lembra nossas soluções?
Nossas bandeiras levantadas?
O verão?
O recorte dos ritmos, intacto?
É para você que escrevo, é para
você.


'My life closed twice before its close.'
Emily Dickinson


2.10.83"

- Ana Cristina Cesar






posted by Neo | 23:37
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Quinta-feira, Dezembro 14, 2006  



Era quarta-feira.

E o Chico,
com tantas e tantas músicas lindas
para cantar para tantas e tantas mulheres,

cantou assim,

para mim:

"Vou voltar
Haja o que houver, eu vou voltar
Já te deixei jurando nunca mais olhar para trás
Palavra de mulher, eu vou voltar
Posso até
Sair de bar em bar, falar besteira
E me enganar
Com qualquer um deitar
A noite inteira
Eu vou te amar

Vou chegar
A qualquer hora ao meu lugar
E se uma outra pretendia um dia te roubar
Dispensa essa vadia
Eu vou voltar
Vou subir
A nossa escada, a escada, a escada, a escada
Meu amor eu, vou partir
De novo e sempre, feito viciada
Eu vou voltar

Pode ser
Que a nossa história
Seja mais uma quimera
E pode o nosso teto, a Lapa, o Rio desabar
Pode ser
Que passe o nosso tempo
Como qualquer primavera
Espera
Me espera
Eu vou voltar"


posted by Neo | 20:54
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Domingo, Novembro 05, 2006  


Existiu no mundo uma cachorrinha única.


Que prestava atenção em você e te amava de um jeito tão lindo que nem sei.
Ela sabia quem você é, ela sabia o que você é, ela sabia quem você gostaria de ser. Ela compreendia o seu olhar, ela conhecia os movimentos do seu corpo, ela via o que você sente. Porque ela te olhava lá dentro - sim, ela era a dona do olhar mais poético e meigo que eu já vi. E por isso, mas não só, ela transformava até seus desejos mais amargos em carinho profundo.
Ela era um catalisador de sentimentos bons.
O amor em seu estado bruto.

Sem dúvida, a melhor pessoa que eu conheci.

E eu estive muito triste, porque ela foi embora num dia cinza de primavera.
Pensei que o mundo seria muito mais feio e um tanto menos alegre sem a presença dela. Mas, agora, passados uns dias, percebo que não: o mundo é o mesmo, e eu me sinto feliz simplesmente por ela ter existido na minha vida.
Saudade e até uma certa dor por não ter mais por perto aqueles olhos cheio de bondade e beleza, sim, eu vou sentir sempre; essas coisas nunca passam.
Mas ela fez o mundo tão melhor enquanto viva, que ele só pode continuar sendo bom - exatamente porque ela existiu.

posted by Neo | 18:57
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Sexta-feira, Setembro 15, 2006  

Ontem eu estava lendo a "Apresentação" do livrinho que veio com a Revista EntreLivros 17 (Relatórios do Prefeito de Palmeiras dos Índios - Graciliano Ramos), escrita por Ricardo Filho, neto do próprio Graciliano. Lá, ele conta que a família toda sempre leu muito, é um texto muito bonito. Numa dada hora, ele conta que as crianças, nos tempos passados, eram obrigadas a ir dormir às 20:30hs, assim que a musiquinha dos cobertores Parayba ("Já é hora de dormir...") começava a tocar. Na casa deles, as crianças iam para a cama nesse momento, mas poderiam ficar acordadas por mais uma hora, desde que lendo. Foi o que bastou para criar nele e no irmão o hábito - e a delícia - da leitura.

Eu não sou da época da tal musiquinha, e não tinha horário para ir dormir (o que explica as madrugadas insones de hoje em dia). Mas eu me lembrei de como eu me apaixonei pelas letras, livros, capas, bancas, livrarias.
Irmã temporã que sou, passei uma infância bem quieta no meu cantinho. Mas com quatro anos, comecei a sentir falta de companhias. Assim, incrivelmente, ainda mais analisando o relacionamento com cada irmã hoje em dia, eu ia justamente ficar perto da irmã mais velha, uma adolescente já preocupada com vestibular. Assim, sem mais nem menos, enquanto ela estudava, eu falava: "quando você terminar aí, assim, de repente, se você quisesse, a gente podia fazer alguma coisa". Ela concordava, mas eu continuava no meu mundinho. De repente ela aparecia: "Pronto, vamos brincar". Num desses dias, ela resolveu me ensinar a ler. Foi exatamente neste ponto, ainda sem saber escrever, que aprendi a ler as letrinhas mágicas dos livros.

(Por isso, aliás, eu comecei a escrever à máquina. Ainda não sabia escrever à mão, mas passava horas na Olivetti da minha mãe, escrevendo e escrevendo, até que, altas horas, ela - a mãe - vinha brigar e me obrigar a parar por causa do barulho das teclas.)

Começamos com gibis. Ela, adolescente rebelde, obrigou meu pai a me dar um gibi por semana para que eu pudesse pegar gosto. Todo domingo, portanto, ela se sentava comigo e lia para mim, mas me ensinado a ler ao mesmo tempo. Ela gostava de Tio Patinhas, eu preferia Chico Bento, mas - o medo - nunca disse isso a ela.

Pouco tempo depois, ela me apresentou a Monteiro Lobato - Reinações de Narizinho, assim como o próprio Ricardo Filho.
Lemos - ela leu, me ensinando - toda a coleção. Aos cinco anos, ela me deu nas mãos o "A Fada que Tinha Idéias". Eu teria de ler para ela. Assim, toda noite, ela me punha na cama e esperava, pacientemente, que eu lesse as linhas todas deste livro fantástico. E esperava, e me corrigia, e não me apressava. Ela, a adolescente extremamente rebelde, teve comigo uma paciência inexplicável.

Depois, fomos a "O Sofá Estampado", "A Bolsa Amarela", e toda a coleção de Ligya Bojunga Nunes. E tantos outros autores. Aos oito anos, li meu primeiro Fernando Sabino. No mesmo ano, ele fez uma tarde de autógrafos na cidade. Ela já estava na faculdade. Eu, de braço quebrado, pedi um autógrafo no meu gesso. No livro, pedi que ele dedicasse o autógrafo a ela. Nunca conversamos sobre isso (ela é, até hoje, como aquela adolescente rebelde - devemos ter muito medo dela e de suas reações), mas acho que foi o melhor presente que ela já recebeu.

Enfim. São tantas histórias. De cada uma das linhas lidas, são mil e uma lembranças. Mil e um acontecimentos. Mas senti saudade desses dias. Dessas noites. Dessa irmã que se desdobrou para me ensinar a ler.
Alguém, ainda que tenhamos muitas - e tantas - diferenças, a quem devo muito. Devo quase tudo, aliás.

posted by Neo | 00:09
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Segunda-feira, Agosto 14, 2006  



Vi Gioconda na rua dos ipês amarelos. Usava uma camisa que dizia "HOJE NÃO!". Fone do MP3Player no ouvido e o taco de beisebol na mão. Passou correndo entre os carros.

Não tive tempo de dizer, de pedir, de chamar, de sorrir.




posted by Neo | 20:24
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Terça-feira, Julho 11, 2006  


Noite feita.

Saindo do trabalho. Quando abro a porta da empresa, aquela que dá de cara para a rua, e porque é um patamar acima do chão, quase de cara para o céu, eis que me deparo com uma lua cheia, enorme e linda. Exatamente na minha frente.

Naquele breve instante entre o perceber a coisa & o ter a exata noção da coisa, entre o apreender a coisa & reconhecê-la, tive a nítida sensação de que a lua estava invadindo a porta da empresa.

Uma sensação rápida, está certo. E estranha. E bonita.

posted by Neo | 10:06
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Carrego em mim toda uma imensidão de sentimentos.Sou amante de literatura, música, teatro, cinema...enfim, de todas as manifestações artísticas. escreva! Sinta-se em casa: neoromantica@gmail.com

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